O próximo combate
Editorial · Combate, novembro e dezembro de 2003, edição em linha
Jornal2003EM dezembro de 1973, um grupo de militantes marxistas revolucionários fundava a Liga Comunista Internacionalista, com o objectivo de acabar com a ditadura e a guerra colonial. Já depois do PREC, esta organização alargava-se, dando origem ao Partido Socialista Revolucionário que até 1999 organizou campanhas e intervenção política, dentro e fora dos períodos eleitorais. É um bom sinal vermos hoje, na comemoração dos trinta anos desta corrente, toda a gente mais preocupada em preparar as batalhas políticas que aí vêm do que recordar as alegrias e tristezas, as vitórias e as derrotas passadas.
Não será novidade para ninguém que estes 30 anos do PSR são mais que um aniversário redondo. A proposta de mudar a esquerda e o mapa político português através de um novo projecto político radical e mobilizador atravessou toda a década de 90 nas campanhas do PSR, mas é agora que se desenvolve na acção do Bloco de Esquerda enquanto movimento plural e força política combativa. Neste contexto, e como foi sublinhado no último Congresso, o PSR já não é um partido. Será, isso sim, uma corrente política com a mesma identidade que trouxe da reunião clandestina em S. Bernardino há 30 anos: socialista, feminista, internacionalista, revolucionária.
Afirmar esta identidade dentro do Bloco e da esquerda passa pela discussão e pelo confronto de ideias, projectos, opiniões, de diferentes caminhos para o objectivo comum: acabar com a exploração, a ditadura dos mercados, o fundamentalismo conservador, as discriminações. E é para melhorar a qualidade desse debate que o COMBATE vai ter uma nova fórmula. Com mais páginas e mais espaço para textos de análise e reflexão, três a quatro edições por ano, feito por mais gente para chegar a mais gente, dentro e fora do Bloco.
Os leitores de sempre já estão habituados a ter um jornal irrequieto: ao longo de mais de 20 anos, o COMBATE já passou por muitas mudanças. Agora o jornal/propaganda que destaca o acompanhamento da política do imediato, tanto quanto permite a periodicidade mensal, vai dar lugar a uma revista com artigos de fundo necessariamente mais longos, conservando o espírito crítico e a irreverência que sempre marcaram todos os formatos. Também as colaborações internacionais vão ser alargadas, beneficiando da entrada do COMBATE na rede europeia de revistas marxistas, que junta publicações de França, Itália, Estado espanhol e Inglaterra.
Os redactores e colaboradores regulares desta série dos últimos anos, que por militância ou simpatia ofereceram muito do seu tempo e trabalho para continuar a fazer deste jornal uma referência da imprensa alternativa, sabem o quanto desejamos reencontrá-los nas páginas da nova revista. Queremos manter a tradição - que regressou com a última remodelação - de dar espaço aos jovens ilustradores (e a alguns que entretanto se profissionalizaram e dão cartas nesse ofício...) para que possam publicar o seu trabalho regularmente com a qualidade a que nos habituaram.
E os leitores ficam a saber que no primeiro trimestre de 2004 aqui encontrarão os pontos de vista de uma esquerda intransigente e insubmissa. É que ao fim de 30 anos de resistência, nunca como agora ela teve tanta vontade de vencer. Luís Branco
Texto da edição em linha do jornal (1999–2003), recuperado das cópias do Internet Archive e do Arquivo.pt.