O nascimento de um Fórum
Portugal · Combate, fevereiro de 2003, edição em linha
Jornal2003Jorge CostaO Fórum Social Português está em marcha. Depois devárias reuniões plenárias onde se encontraram largas dezenas de organizações sociais, associativas e políticas -, o FSP já tem local e data: 7 a 10 de Junho, em Lisboa. O essencial das actividades terá lugar na zona da Cidade Universitária. A estrutura de temas e debates apurada nos encontros nacionais realizados até agora assenta num modelo muito semelhante aos dos Fóruns Sociais Mundial e Europeu, de Porto Alegre e Florença, respectivamente. Conferências, seminários, oficinas, três eixos programáticos: a luta contra o neoliberalismo, a guerra e as exclusões. Em Lisboa, esses eixos juntarão Trabalho, economia, globalização e desenvolvimento sustentável; Defesa e promoção da paz e da solidariedade e luta contra a guerra; Democracia, cidadania, direitos e serviços públicos.
A 10 de Junho, terá lugar uma grande marcha cidadã e popular que trará às ruas a diversidade do movimento social português e as suas reivindicações, sob a bandeira comum do Fórum Social. O processo do Fórum é aberto e convida. Para acompanhar a sua evolução, estão disponíveis a agenda, documentação de trabalho e a Declaração fundadora de Coimbra (em baixo) no link abaixo.
Jorge Costa
Declaração de Coimbra
A 21 de Setembro de 2002, as pessoas, as organizações e os movimentos da sociedade portuguesa, presentes no Plenário Nacional em Coimbra, decidem convocar o Primeiro Fórum Social Português para Junho 2003. O Fórum Social Português afirma-se 'um movimento de movimentos' que se reconhecem no espírito do Fórum Social Mundial e dos Encontros Continentais que, por todo o planeta, proclamam que um outro Mundo mais Pacífico, Justo, Solidário e Sustentável é não apenas necessário, mas possível.
O Fórum Social Português representa em Portugal um processo de encontro, convergência e participação da cidadania organizada e das pessoas, independentemente da sua nacionalidade, que se revêem e subscrevem a Carta de Princípios de Fórum Social Mundial. Este espaço não pretende representar o conjunto da sociedade portuguesa, mas amplificar a voz d@s muit@s que condenam as políticas económicas, sociais, ambientais e culturais do neoliberalismo, a guerra, o sexismo, o racismo, a homofobia, a xenofobia, a pobreza, a exclusão social e a injustiça.
Ao Fórum Social Português podem aderir todas as pessoas, organizações e movimentos existentes no país que se reconheçam nesta declaração. Tod@s são bem vind@s e tod@s são iguais, quer sejam uma pessoa, quer representem um milhão.
No Fórum Social Português trocam-se experiências, criam-se alternativas e discutem-se e põem-se em prática ideias de tod@s. Mas, ninguém está mandatad@ para falar em nome do Fórum Social Português.
No Fórum Social Português confluem muitos caminhos e dele sairão muitos mais. Aqui se produzem ideias e se preparam acções, que - apesar de apenas obrigarem @s que nelas se queiram envolver - contribuem para construir um Portugal melhor, num Mundo diferente. A afirmação desta diversidade não cabe num documento final.
A regra principal desta construção democrática efectiva e plural é clara: todos os níveis da sua organização estão abertos à participação de tod@s. Somos intransigentemente pela transparência. O que formos capazes de realizar em conjunto será sempre o resultado do empenho de tod@s.
A nossa legitimidade, bem como da iniciativa que hoje anunciamos, é a que decorre da vontade de, em conjunto, procurarmos imaginar um país que contribua para a ideia de que um outro Mundo é possível. É esta a força que - de Seattle a Génova e de Porto Alegre a Florença - mobiliza vontades em todo o planeta. É esta a razão que partilhamos e faremos crescer em Portugal.
Coimbra, 21 de Setembro de 2002
Texto da edição em linha do jornal (1999–2003), recuperado das cópias do Internet Archive e do Arquivo.pt.