Izquierda alternativa analisa eleições na Galiza e País basco
Internacional2009As eleições regionais bascas e galegas ficam marcadas pelo regresso da direita ao poder na Galiza e ao afastamento de 100 mil eleitores bascos da escolha de representação política no parlamento. Lê aqui o comunicado da Izquierda Alternativa, o novo partido do Estado espanhol que se apresenta ans próximas eleições europeias.
Eleições ilegítimas no País Basco e regresso ao poder da direita na Galiza
Comunicado da Izquierda Anticapitalista
O processo eleitoral que teve lugar na Comunidade Autónoma Basca foi caracterizado pela ausência, pela primeira vez, de uma candidatura representativa de um sector significativo da esquerda abertzale que, apesar de todos os obstáculos, manifestou-se através do voto nulo de cerca de 100.000 boletins, equivalente a 8,8% do eleitorado. Essa exclusão deveu-se à aplicação de uma Lei de Partidos injusta e questiona, portanto, a legitimidade e representatividade do novo Parlamento Basco.
Pretender efectivamente, como afirmam os grandes meios de comunicação e os principais partidos, que se produziu uma viragem radical no espectro político basco significa ignorar que esses votos nulos confirmam a existência de uma corrente que, apesar de ter sofrido uma descida em relação às anteriores eleições (no qual influenciou o nefasto papel desempenhado pela ETA), seguirá sendo considerada como a quarta força política nessa Comunidade.
É certo que o Partido Nacionalista Basco (PNV) e o PSE conseguiram um aumento de votos e uma maior representatividade institucional mas há que recordar que o seu reflexo em eleitos deve-se em grande parte tanto à ausência da corrente abertzale ilegalizada como ao retrocesso dos seus aliados, trate-se do PP, de Eusko Alkartasuna (EA) ou de Ezker Batua (EB). Em qualquer caso, a soma total de votos obtida pelas forças partidárias do reconhecimento do direito de decidir do povo basco continua superior à que representa a soma do PSE, PP e UpyD, pelo que representa uma falácia afirmar que essa aspiração já não conta com o apoio da maioria da cidadania nessa Comunidade.
Quanto à EB, o seu decréscimo de votos e eleitos confirma a tendência para o declive que já se anunciava entre um sector do seu eleitorado e dos seus próprios filiados e filiadas, devido ao resultado cada vez mais negativo daquilo que foi a sua participação no governo de maioria PNV e o seu alto grau de burocratização interna. Esse fracasso dá a razão aos sectores críticos, entre eles os nossos companheiros e companheiras da Ezker Alternatiboa, que abandonaram esse partido e apostam neste momento num projecto alternativo. Contrastando com essa formação, Aralar teve uma subida apreciável na que confluiram os votos de outras formações como, EA, EB e o sector ilegalizado da esquerda abertzale, assim como o seu próprio balanço como força política que manteve a sua autonomia perante o governo presidido por Ibarretxe. Teremos de ver se assim segue e reforça uma orientação mais à esquerda ou, pelo contrário, se presta a uma aliança estável com o PNV no novo Parlamento basco.
Abre-se agora um novo palco no qual tanto os dirigentes do PSE e do PNV, preocupados em não perder a imensa rede de interesses criados desde que estão no poder, há três décadas, têm mais coincidências do que diferenças tanto no que toca à resposta à crise económica, social e ecológica como inclusivamente na aposta por uma via de reforma estatutária que seja capaz de travar a aspiração maioritária do povo basco pela sua soberania. É urgente, portanto, de parte da esquerda abertzale e anti-capitalista, dos sindicatos e dos movimentos sociais, reconstruir um bloco social e político disposto a oferecer um plano de luta contra a crise e ao mesmo tempo forçar o fracasso das tentativas de acabar com a longa luta do povo basco pelo seu direito à auto-determinação, seja por parte do PSE ou do PNV. A renúncia definitiva dos atentados mortais por parte da ETA ajudaria sem dúvida este processo.
Relativamente às eleições galegas, o regresso do PP ao governo parece ter-se dado mais ao desgaste sofrido pelo governo PSG-BNG que, subordinado ao de Zapatero, não mostrou uma política substancialmente diferente da direita no plano social ou na defesa dos direitos nacionais da Galiza e que, para além do mais, não pode ocultar o despesismo dos recursos púbico em benefício próprio. A decepção produzida por essa política nos sectores de esquerda do eleitorado, especialmente entre os jovens, favoreceu sem dúvida uma abstenção elevada e, com isso, um recuo significativo nos votos de ambos os partidos, enquanto que o PP aumentou relativamente às eleições de 2005. Com esses resultados a liderança de Rajoy dentro do PP pode ver-se reforçada enquanto que a de Zapatero conhece o seu primeiro tropeção eleitoral. Em qualquer caso, é nessa Comunidade Autónoma onde mais se faz sentir a ausência de uma força política capaz de oferecer um projecto de esperança, seja frente ao neo-conservadorismo e caciquismo do PP como ao social-liberalismo do PSG e BNG.
Abre-se agora uma nova etapa na qual a preparação das eleições europeias do próximo mês de Junho dar-se-à num contexto de agravamento da crise global e da aplicação de políticas mais agressivas contra os trabalhadores e a maioria da população por parte da União Europeia e do governo de Zapatero: o desemprego, a criminalização de trabalhadores imigrantes, a "flexisegurança", a precarização das nossas vidas, juntamente com novos ataques a liberdades e direitos básicos, são a resposta à crise que a própria UE, as multinacionais e os banqueiros provocaram. É urgente portanto impulsar um amplo movimento unitário que faça frente a essas políticas à escala europeia e nesse caminho a Semana de Acção Global de 28 de Março a 4 de Abril, convocada pelo Forum Social de Belém será só o começo de uma onda de lutas que contribua para oferecer outra saída desde a base e à esquerda.
Mas, como se dizia no Manifesto "Mudar o mundo da base é hoje mais necessário do que nunca: Por uma candidatura anticapitalista nas eleições europeias", a resistência social não basta. É necessária uma alternativa política anticapitalista cuja única lealdade esteja nas lutas e nos movimentos sociais, que nunca aceite participar na gestão do sistema, que saiba ouvir e aprender, que mereça confiança. Essa alternativa não existe e queremos contribuir para construi-la. Com esse espírito, estreitamente unido às lutas de todos os dias, Izquierda Anticapitalista empreende a campanha perante as eleições europeias e apela à colaboração de activistas, sindicalistas e todos aqueles e aquelas que estejam convencidos de que outra esquerda faz falta, uma esquerda de combate, para outra Europa ao serviço dos povos e dos trabalhadores.
2 de março de 2009
www.anticapitalistas.org