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Arquivo da LCI, do PSR e da APSR, secção portuguesa da IV Internacional, e da sua imprensa, 1973–2013

Abaixo o regime de Kadhafi! Parar a intervenção imperialista! Apoio à revolução líbia!

23 de março de 2011 · Internacional · 555 palavras

Agora, mais do que nunca, é a altura dos povos Árabes tomarem o seu destino em mãos sem a intervenção neocolonialista das potências ocidentais. Declaração da Quarta Internacional

A intervenção das potências ocidentais na Líbia constitui um ponto de viragem na situação na região Árabe. Desde o início da onda de choque político e social que percorre quase todos os países da região, a Quarta Internacional tem estado ao lado das razões democráticas e sociais do povo Árabe contra os seus tiranos. Por isso apoiamos totalmente as revoluções na Tunísia e no Egipto, ao lado dos militantes socialistas revolucionários desses países.

Esta é a razão de apoiarmos todas as reivindicações democráticas - direito à liberdade de expressão, organização política e social, pluralismo, liberdade de imprensa; e reivindicações sociais como a criação de emprego, aumentos de salários, luta contra o alto custo de vida - destas mobilizações populares, de apoiarmos o derrube das ditaduras e a reivindicação por uma ruptura real com os regimes depostos, numa perspectiva democrática e socialista.

Na Líbia, esta política levou-nos desde o início a apoiar as mobilizações e a insurreição popular para derrubar a ditadura de Kadhafi. Na Líbia, a solidariedade com as mobilizações populares significa fazer tudo para ajudar o povo contra Kadhafi: embargo total à venda de armas para a ditadura, congelando os bens do regime líbio no estrangeiro, organização da ajuda médica, alimentar e humanitária para as centenas de milhares de líbios perseguidos pela ditadura de Kadhafi…

Apoiar o povo líbio e proteger os civis quer dizer dar-lhes os meios de se defenderem contra os massacres dos mercenários de Kadhafi, libertando-os da ditadura. Os povos e exércitos Árabes, a começar pelos egípcios e tunisinos, podem ter um papel decisivo nesta ajuda militar.

Os bombardeamentos franceses, ingleses e norte-americanos não pretendem "proteger as populações civis", como é dito na Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU que estabelece uma "no-fly zone" na Líbia. À medida que passam as horas e os dias, os objectivos desta Resolução da ONU tornam-se cada vez "vagos". Trata-se mesmo de proteger as populações civis? Então porquê arriscar bombardear outros civis? É uma questão de acabar com o Kadhafi ou de impor um acordo de regime, até mesmo a divisão da Líbia? O risco de escalada que pode levar a uma ou mais intervenções por terra não pode ser ignorado, ao contrário do que diz a resolução. Na verdade, para a coligação imperialista a questão é de se restabelecer na região, procurando confiscar o processo revolucionário em marcha, instalando governos da sua confiança ou colocando pressão sobre os processos em andamento. E os seus interesses estratégicos petrolíferos também devem ser lembrados. Por último, como pode alguém acreditar nestes governos hipócritas, que ocupam o Iraque e o Afeganistão e dizem que querem "proteger as populações civis", mas deixam as populações serem massacradas no Bahrein, Iémen, Síria ou em Gaza.

O apoio à revolução líbia e ao derrube da ditadura de Kadhafi significa hoje ajudar os rebeldes e terminar a intervenção imperialista. O povo líbio não está sozinho. A sua luta faz parte do ascenso revolucionário que está a abalar o mundo Árabe. Agora, mais do que nunca, é a altura dos povos Árabes tomarem o seu destino em mãos sem a intervenção neocolonialista das potências ocidentais.

Secretariado do Bureau da Quarta Internacional

23 março 2011

Fonte: combate.info, cópia do Internet Archive de 2012.

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