2011: ano de mobilização para derrotar as políticas da crise e do FMI
Bloco e APSR2011Para a APSR, o Bloco de Esquerda tem hoje a capacidade para dar força a essa mobilização e a esse diálogo necessário na esquerda que defende os serviços públicos e rejeita a austeridade ditada pela sra. Merkel aos países periféricos.
O processo de transferência de capital dos trabalhadores para o sector financeiro está a agravar-se na Europa e em particular em Portugal. Os juros a pagar pelo financiamento do Estado, uma dívida em boa parte detida pela banca alemã e francesa, já chegam aos 7%, enquanto esses mesmos bancos conseguem financiar-se a 1% junto do Banco Central Europeu. Percebe-se bem a quem serve a actual arquitectura de poderes na União Europeia, com a suposta “independência” do BCE que funciona como o grande alimentador da especulação à custa das dívidas soberanas europeias.
Os exemplos grego e irlandês mostram também como as condições impostas em troca do recurso ao fundo europeu e ao FMI condenam na prática a economia aos usurários, com juros praticados na casa dos 6%, semelhantes aos que a banca especuladora tem vindo a praticar. O fundo de auxílio europeu aos países em dificuldades financeiras, mais necessário que nunca neste contexto, está a ser aproveitado para entregar o rumo das finanças públicas aos neoliberais mais ortodoxos. Por onde já passaram nos últimos meses, na Grécia e na Irlanda, a receita é a mesma: desmantelamento dos serviços públicos, privatizações, redução de salários e pensões, despedimentos em massa de funcionários públicos.
A direita quer o FMI para poder aplicar o programa que não consegue sufragar nas urnas. A campanha para as eleições presidenciais confirmou que Cavaco Silva quer aumentar a tensão com o governo e abrir caminho à eventual entrada de Passos Coelho (e consequente regresso de Paulo Portas) no governo para assim voltar a transformar o país num “bom aluno” do FMI e da banca credora.
O Orçamento de Estado e as medidas do PEC, ambos aprovados com o voto do PS e do PSD, são a primeira dose da receita da austeridade: diminuem os apoios e os rendimentos das famílias pobres, mas aumentam as desigualdades e o desemprego. Por outro lado, fecham os olhos à taxação dos lucros dos bancos e dos dividendos milionários dos gestores. A luta contra as políticas do FMI em Portugal é uma luta contra o governo Sócrates, que já está hoje a aplicar essas medidas contra os trabalhadores.
Num momento difícil de resistência a uma ofensiva poderosa do patronato e dos especuladores da banca, é maior a urgência da unidade dos trabalhadores e das organizações que os representam. Por isso foi vencedora a greve geral conjunta de 24 de Novembro, convocada por CGTP e UGT.
A luta contra a austeridade, as privatizações e os cortes nos salários e direitos sociais estão na primeira linha da agenda política em 2011. A greve geral de Novembro foi um sinal importante da rejeição de soluções que passam por impor sacrifícios apenas aos trabalhadores. Para organizar a resposta num ano de crise política, é essencial a mobilização dum amplo sector social em nome de alternativas que façam recair a factura da crise em quem a provocou e com ela lucra: o sector financeiro que vive protegido por um regime de excepção fiscal inaceitável.
Para a APSR, o Bloco de Esquerda tem hoje a capacidade para dar força a essa mobilização e a esse diálogo necessário na esquerda que defende os serviços públicos e rejeita a austeridade ditada pela sra. Merkel aos países periféricos. Na campanha presidencial com Manuel Alegre ficou muito clara esta posição política que divide o Partido Socialista. Uma oposição forte ao governo e à direita para vencer as políticas da crise e do FMI só se faz com alternativas claras e propostas concretas para travar a sangria imposta a quem trabalha para pagar juros aos especuladores. É fundamental divulgá-las massivamente e levar a todo o país o debate sobre o efeito da austeridade na economia.
22 Janeiro 2011