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Arquivo da LCI, do PSR e da APSR, secção portuguesa da IV Internacional, e da sua imprensa, 1973–2013

Guatemala: Camponeses indígenas recordam massacre de 1980

até julho de 2009 · Internacional · 694 palavras

No dia 31 de Janeiro de 2008, o Comité de Unidade Camponesa, da Guatemala, recordou ao país o impune massacre ocorrido esse mesmo dia em 1980. Seguido de uma repressão e perseguição sangrenta do exército treinado por militares norte-americanos e israelitas, o massacre foi perpetrado por mais dez anos numa campanha conhecida como a “Terra Arrasada”. Nela foram assassinados mais de 200 000 indígenas. Vê aqui as fotos da concentração e o texto de Nim Sanik Aq’ab’al.

Após os acordos de Paz de 1996, inicia-se um interminável caminho para julgar os culpados. Até hoje ainda não se conseguiu nem um mandato de captura contra os responsáveis que continuam a ocupar lugares de estado e candidatando-se a eleições.

O CUC continua a luta para que não se esqueça esse dia e para que se consiga justiça. Organizou uma série de eventos para recordar este dia. De manhã, uma manifestação em frente à Corte Constitucional, de tarde, um fórum no qual participou a prémio nobel da paz, Rigoberta Menchú, líderes estudiantis e membros do CUC. Finalizou numa vigilia nocturna ante a embaixada de Espanha.

FOTOS DE RICARDO GOMES

28 ANOS DEPOIS DE UM MASSACRE

Texto de Nim Sanik Aq’ab’al, colaborador do CUC na Guatemala.

O ano de 1980 começa como um dos anos de maior repressão contra as comunidades camponesas e indígenas na Guatemala, as lutas pela terra eram cada vez mais fortes, as reivindicações por condições humanas no tratamento dos trabalhadores e das suas famílias nas plantações de cana de açúcar, de banana, de café e de algodão na costa sul principalmente.

O aumento da organização social comunitária em cooperativas e a busca e discussão de um modelo diferente de produção e de comercialização nas comunidades camponesas do altiplano indígena da Guatemala incomodou o sistema capitalista e explorador da mão de obra dos camponeses, com isso começando a perseguição de líderes comunitarios, a morte selectiva, as ameaças e os desaparecimentos nas zonas onde a população tinha conseguido maior organização.

Como resposta aos atropelos, as organizações camponesas e indígenas organizadas no COMITÉ DE UNIDAD CAMPESINA (CUC) tomaram a decisão de enviar uma comissão integrada por líderes camponeses das comunidades mayas Ixil, K’iche’, Uspanteko, Poqomchi’ e Kaqchikel dol departamento de K’iche’ e de Escuintla para encontrar uma forma de denunciar as violações de direitos humanos que as comunidades sofriam por parte das forças armadas do Estado da Guatemala de então. Essa denúncia não foi escutada nem pelas instâncias de justiça do estado, nem pelos meios de comunicação, pelo que decidiram reunir-se com as organizações religiosas que estão na linha de apoio aos camponeses, com as organizações operárias, de povoadores e das organizações estudantis da Universidade de San Carlos (Universidade Nacional). Depois das tentativas para que fossem escutados, decidiram pedir auxílio na Embajxada de Espanha para que por meio dos ofícios do Embaixador pudessem ser ouvidos.

Quando o governo foi informado que um grupo de camponeses tinham tomado a embaixada de Espanha decidiram desalojá-los pela força, mas dar-se conta de que não podiam desalojá-los porque as portas estavam fechadas, encharcaram o edifício com gasolina e outros materiais inflamáveis e deitaram-lhe fogo.

Nesse massacre perderam a vida 37 pessoas, delas, 11 pessoas de origem maya K’iche’, 4 mayas Poqomchi’, 3 mayas Ixil, 1 Uspanteko e 1 Kaqchikel; 6 dos sectores populares e estudantis e o resto da embaixada entre trabalhadores e pessoal diplomático.

O que significa para a história do movimento camponês e indígena chegar a 28 anos desse masscare tão condenável?

1.Para a justiça guatemalteca é uma dívida histórica que têm para com o povo maya e uma demonstração do grau de impunidade que existe no que toca às violacões dos direitos humanos, especialmente os actos de genocídio e etnocídio cometidos no país.

2.Para a história, é demonstrar que os dias, os meses, os anos, as luas não serão obstáculos senão motivos para procurar justiça e que os responsáveis intelectuais e materiais sejam julgados.

3.E para o movimento camponês e indígena é necessário dizer com muita valentia aos que nos quiseram fazer desaparecer da face da mae terra: AQUI ESTAMOS VIVOS, trazemos os nossos mortos em cada luta que fazemos pela defesa e pela recuperação da mae terra.

Fonte: combate.info, cópia do Internet Archive de 2011.

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